quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O amor com que devo amá-la.




"As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo. Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja."
Efésios 5:22‭-‬32
Algumas vezes se descarta por completo a ênfase desta passagem. É lida como se a essência estivesse na subordinação da mulher ao marido. Cita-se isoladamente a frase "o marido é cabeça da mulher". Mas há muito mais. O âmago dessa passagem não é o controle, mas o amor. Paulo está tratando do amor que o homem tem a obrigação de ter com sua mulher. E este amor:

  • Deve ser um amor sacrifical. O marido deve amar a sua esposa como Cristo amou a Igreja e deu-se a si mesmo por ela. Não deve ser um amor utilitarista, que visa receber algo em troca. Cristo não amou a Igreja para que a Igreja fizesse algo por Ele, senão para Ele fazer coisas por ela. Stuart Scott, em seu livro para homens, ensina que "no Novo Testamento, os maridos são escolhidos para exemplificar o tipo de amor sacrificial que Cristo tem pela Igreja"[1].

  • Tem que ser um amor purificador. Cristo purificou e consagrou a Igreja - esse foi o seu propósito quando se entregou para morrer por ela. Assim, de mesmo modo, o marido tem o mesmo dever de fazer com que sua esposa consagre-se ao Senhor. Stuart, falando sobre os deveres espirituais do marido, ainda nos diz: "Investir tempo estudando, revendo sermões ou fazendo devocionais com sua esposa é uma ótima maneira de liderar através da instrução"[2]. 

  • Deve ser um amor solícito. Um homem deve amar a sua mulher como ama a seu próprio corpo - isto é, como parte de seu próprio corpo. Há algo errado quando um homem olha a sua mulher somente como a que deve preparar a comida, lavar a roupa, limpar a casa e educar os filhos. O homem que enxerga sua esposa como uma diarista permanente ainda não entendeu o propósito e a magnificência do casamento. 

  • É um amor inquebrantável. Por este amor o homem deixa pai e mãe e se adere à sua mulher. Tornam-se uma carne. Ele une-se a ela como os membros do corpo estão unidos entre si. Jamais pensa em separar-se dela — isto significaria pra si arrancar uma parte de sua própria carne, visto que ambos são um. O ideal divino para o casamento é para que este seja indissolúvel, assim como o corpo de Cristo é indivisível. 

  • Além de todas essas coisas, deve haver também um amor sexual. Há grande deleite na sexualidade e na satisfação um do outro na vida conjugal. A principal finalidade do sexo no casamento é a expressão de amor e companheirismo mútuos. O pastor e teólogo Joel Beeke nos ensina que "o amor conjugal deve ser sexual, logo ambos os parceiros conjugais podem se dar inteiramente para o outro com alegria e exuberância em um relacionamento saudável marcado por fidelidade"[3].

Esta é uma relação como diz Paulo, no Senhor. Vive-se na presença do Senhor, em sua atmosfera; cada iniciativa é dirigida pelo Senhor; cada decisão é tomada no Senhor. O evangelista Dwight L. Moody, comentando esta passagem nos ensina: "Esta não é uma referência ao amor normal do marido, que não necessitaria ser ordenado, mas ao amor volitivo que brota de Deus e assemelha-se ao Seu próprio amor. Em contraste com o desejo sexual normal, que por sua natureza é egoísta, este amor é altruísta"[4].

Um outro servo de Deus, William Hendriksen, nos diz:
"O amor requerido deve ser bem comentado, íntegro, inteligente e determinado, um amor no qual a personalidade toda — não apenas as emoções, mas também a mente e a vontade — se expressem. A principal característica desse amor, todavia, é que ele é espontâneo e abnegado, pois ele se compara ao amor de Cristo por meio do qual a si mesmo se deu pela igreja. Amor mais excelente que esse é inconcebível. Quando um esposo crente ama sua esposa dessa forma, a obediência por parte da esposa crente será fácil"[5].

Desta maneira, somos exortados no contexto imediato da passagem a "encher-nos do Espírito" (v. 18), para que possamos desfrutar da graça de Deus na vida prática e conjugal. Que o Senhor nos ajude a entender que, como homens, essa é a principal vocação que recebemos — demonstrar em nossos casamentos o amor de Cristo para com a Igreja.

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1. Stuart Scott. Homem Bíblico: Masculinidade, Liderança e Decisões. São Paulo: Nutra Publicações, 2014, p. 35.

2. Ibid., p. 64.

3. Leland Ryken. Santos no Mundo: Os Puritanos Como Eles Realmente Eram. São José dos Campos: Fiel Editora, 2013, p. 62, 63.

4. Dwight L. Moody. Comentário Bíblico: Efésios, p. 34, 35.

5. William Hendriksen. Comentário do Novo Testamento: Exposição de Efésios e Exposição de Filipenses. São Paulo: Editora Cultura Cristã, p. 297.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Resgatando a Masculinidade Bíblica



Um quadro bíblico, realista e equilibrado de um verdadeiro homem com certeza está longe de ser o proposto por revistas e novelas. Hoje em dia, temos a tendência de adiar o quanto puder a fase da juventude. Quanto mais jovem você parecer, melhor.

Infelizmente, esse tipo de pensamento coíbe os jovens de amadurecerem, alonga o período da adolescência e, consequentemente, deixa de produzir homens de verdade. O retrato do rapaz com mais de vinte anos que é sustentado pelos pais, acorda ao meio-dia e passa sua tarde jogando video-game tem se tornado cada vez mais comum. Isso, aliás, não é tudo. Existem rapazes piores que, apesar de preencherem o requisito de trabalhar e levantar cedo, não sabem tratar uma mulher com respeito. Fazem todo tipo de piadas sujas e se portam como verdadeiros meninos na frente de uma moça. Não precisa ir tão longe para encontrar coisas desse tipo. Mesmo no meio cristão, essas coisas são vistas com facilidade e é nosso dever lutar pra que os homens deixem de ser meninos e se tornem verdadeiros homens. Existem muitas mulheres solteiras por esse motivo: faltam homens para vaga de marido. Os homens estão se desapegando das responsabilidades que lhes foram designadas e estão deixando um buraco gigantesco na sociedade. Devemos nos empenhar para prepararmos futuros homens que estejam dispostos a cumprirem sua tarefa.

Mas, afinal, quais são as características de um homem bíblico que está preparado para o matrimônio?

  • Ele deve amar a Deus.
Aquele que não reconhece Deus como criador jamais será capaz de compreender quem ele é e para qual fim ele existe. Nós só podemos entender o que somos e qual a nossa vocação quando reconhecemos que é Deus quem define isso. O homem foi criado a imagem de Deus e, sendo assim, só poderá preencher as qualidades apropriadas da masculinidade quando encontrar descanso em Deus. Buscar e amar apaixonadamente o Deus da Bíblia é uma atitude própria de um homem¹.
  • Ele deve liderar.
Quando Deus apareceu à Adão no jardim, ele lhe deu ordens especificas. Adão ficou responsável pela supervisão do Jardim (Gn 2.15). Também recebeu o domínio sobre os animais e deu nome a todos eles (Gn 1.28-30; 2.20). Quando Deus colocou Eva no Jardim, as funções não foram divididas entre eles. Não se lê Deus dizendo: "Aqui está Eva. Você, Adão, ficará com metade do trabalho e ela ficará com a outra metade". Ela deveria ser sua auxiliadora (Gn 2.18). Adão deveria liderar e Eva deveria ajuda-lo e segui-lo.
Os maridos recebem essa mesma instrução de serem o cabeça do relacionamento matrimonial. A mulher recebe a ordem de se submeter à liderança do marido e respeitar a posição que Deus deu à ele (Ef 5.22-23). Os homens devem buscar sabedoria, iniciativa, resolução, humildade e coragem para executarem o papel da liderança.
  • Ele deve ser um amante de sua mulher.
Fica evidente na criação que Deus uniu Adão e Eva em matrimonio. Certamente o amor está presente nesse tipo de companheirismo. O Novo Testamento retrata isso de maneira ainda mais clara: ele diz que os homens tem o dever de exemplificar o tipo de amor sacrificial que Cristo tem pela Igreja (Ef 5.25). Os homens devem empenhar-se em buscar excelência nesse amor e nenhuma mulher deve entregar-se à um homem que a ame menos do que é exigido dele. Um homem verdadeiro deve buscar qualidades que demonstrem o amor, tais como a doação de si mesmo, gentileza, consideração, bondade, atitude de servo e sacrifício pessoal. John Benton escreveu:
"Talvez os rapazes solteiros usem seu vigor para servir a si mesmos em lugar de servir ao próximo. Talvez os maridos usem seu vigor para dominar a esposa e os filhos. Precisamos aprender a nos voltar para Deus, para a Sua Palavra e aprender novamente a caminhar com Ele. Ser um servo sacrificial do próximo [e da esposa], como Jesus Cristo foi, não é sinal de fraqueza. Isso é ser um homem de verdade."²
  • Ele deve ser protetor. 
Esse é o papel natural do líder. Adão tinha a obrigação de proteger sua esposa de todo e qualquer perigo. Deus, sendo nosso líder e maior exemplo de amor, assumiu o compromisso de proteger o seu povo e nos garante que nada nos arrebatará de sua mão (Jo 10.27-28). Isso certamente envolve aspectos físicos e espirituais. Ser homem envolver ser corajoso, ousado, forte e vigilante. Cristo certamente liderou, amou e protegeu seus discípulos (Jo 17.12). Ser homem envolve proteger. Stuart Scott concorda quando escreve que "o homem precisar assumir o compromisso de proteger sua esposa, seus filhos e sua igreja"³.

  • Ele deve ser provedor.
O líder é necessariamente aquele que prove. Homens devem cumprir sua função de suprir as necessidades daqueles a quem Deus colocou sob seus cuidados, quer físicos quer espirituais. Para cumprir essa função, o verdadeiro homem deve trabalhar. Ele deve exercer um ofício de onde possa trazer sustento para seu lar. Maridos receberam especificamente a função de prover no Novo Testamento (Ef 5.29; I Tm 5.8). Assim como Deus é provedor e nos proveu redenção em Cristo, o homem deve fazer o que estiver ao seu alcance para suprir as necessidade de seu lar.

Ser homem significa não confiar em sua própria concepção de masculinidade, mas apoiar-se no absoluto delineado na Palavra de Deus. Todas essas características demonstram que a masculinidade e o matrimônio, no fim das contas, não são sobre nós: é sobre Cristo. É por isso que mulheres não devem esperar menos do que um homem que cumpra ou que demonstre forte disposição para aplicar esses princípios em sua vida. É por falta de homens bíblicos e mulheres que procurem por homens bíblicos que nossa cultura está arruinada. É por isso que os namoros modernos não são mais do que práticas que exaltam o divórcio.

Homens, orem até que se tornem homens! Mulheres, orem para que encontrem no Senhor verdadeiros homens! Só assim educaremos as próximas gerações à amarem a Deus e à cumprirem com suas respectivas vocações. 


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1. Scott, Stuart. O Homem Bíblico, Nutra, São Paulo, 2014, p. 26.
2. Benton, John. Gender Questions, Evangelical Press, London, 2000, acréscimo meu.
3. Scott, Stuart. O Homem Bíblico, Nutra, São Paulo, 2014, p. 36.

sábado, 18 de junho de 2016

Resgatando a Feminilidade Bíblica



As mulheres cristãs encontram um grande desafio particular. Em meio a militância feminista, elas se deparam com uma cultura totalmente influenciada por mentiras e verdades incompletas que esse movimento a muito tempo impõe como ideal absoluto, manchando a doçura que é ser criada mulher.

Isso nada mais é do que resultado da queda. Quando o homem, pela sua desobediência, teve seu caráter afetado pelo pecado, a autoridade que antes era protetora, agora é transformada em uma autoridade exploradora.
A mulher, que antes se submetia em amor, agora almeja o lugar do homem, mesmo sem poder suportar a sua responsabilidade, desfigurando assim o plano de Deus para os dois gêneros; por isso há uma mancha na sociedade.
Quando o homem e mulher não entendem o real propósito da criação, perde-se os valores morais que havia para essa relação mútua, então cria-se uma disputa animalesca de gêneros, onde um tenta exercer maior domínio e poder sobre o outro.

O fato é que esse não é um problema de construção social: esse é um problema moral e espiritual.
Portanto, com o auxílio do Santo Espírito, pela Palavra viva de Deus, as mulheres são chamadas a assumir o papel que foi dado exclusivamente à elas. 

"A verdadeira feminilidade é um chamado distinto para demonstrar a glória do Filho de maneira que não seriam demonstradas se não houvesse feminilidade." John Piper.

Resgatar a beleza da feminilidade nada mais é do que se voltar a Cristo e a sua palavra, e viver de forma que glorifique ao Seu nome. Voltar ao principio de temer ao Senhor (Prov 9:10).
Nesse ponto, a Teologia Reformada nos ajuda, porque como R.C. Sproul diz:


"Na Teologia Reformada nós constantemente testamos nossa doutrina retornando ao nosso entendimento fundamental do caráter de Deus."

É importante sempre ter em mente qual o propósito e chamado Deus tem para as mulheres. 
Uma teologia fraca produz mulheres fracas¹, pois somente na força de um Deus totalmente poderoso vocês poderão dispor o vosso coração nesse propósito de abraçar com amor a causa de apoiarem e submeterem-se aos vossos maridos, de educarem os vossos filhos e cuidar de suas casas (ou se prepararem para isso), com delicadeza e mansidão, independente do que o mundo irá dizer.

Por: Jaqueline Izidoro.

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1. John Piper (cit. n.i.).